Diversão e acessibilidade para quem é jovem há mais tempo

WOA_2018

por Cristiane Brasil, deputada federal pelo PTB do Rio de Janeiro

Acho muito engraçado quando vejo uma matéria noticiando, como surpreendente, a vivacidade de idosos. Não à toa, chamada de melhor idade. Afinal, se tem um povo que sabe ser feliz e se divertir é, justamente, essa gente do bem.

O Wacken Open Air (WOA) é o maior festival de heavy metal do mundo, tal como um Rock in Rio ou um Woodstock somente com artistas deste gênero musical. E, como sabemos, é um estilo de vida para muitos apaixonados por rock’n’roll.

E com toda a atitude e rebeldia do rock, dois residentes de um lar de idosos na cidade alemã de Schleswig-Holstein fugiram para poder curtir o festival WOA. O problema é que, ao saírem escondidos na calada da noite, eles deixaram a equipe do lar realmente preocupada com relação ao paradeiro deles.

As investigações levaram a polícia até o WOA, na cidade de Wacken, onde os idosos foram encontrados às 3h da manhã, e levados de volta à casa de repouso. Entretanto, os metaleiros da melhor idade sequer conseguiram ingressar no território do festival, pois não tinham dinheiro para comprar os ingressos.

Acessibilidade

Toda essa aventura me levou à seguinte reflexão: independentemente da não entrada dos amigos idosos no WOA, a falta de alternativas para o entretenimento da terceira idade não é levada à sério.

Falta responsabilidade de inclusão. Falar em acessibilidade é muito mais do que instalar corrimão em escadas, rampas e paredes ou meramente rebaixar uma parte da calçada.

Falar em acessibilidade deve incluir a mobilidade urbana. Ou seja, como as pessoas possam ser transportadas em segurança e mais rapidamente para os seus destinos. Sim, o transporte também deve ser acessível para as pessoas com dificuldade de locomoção.

Agora, por que as opções de entretenimento para a terceira idade devem se bastar às atividades exclusivas para este público?

Há muitos idosos cheios de vida interessados em se divertir de outras formas também. Vamos lutar para que os shows e festivais de música tenham um lugar destacado e acessível para que eles possam acompanhar o espetáculo em segurança.

Você sabia que há um time de gamers, chamado Silver Snipers (Atiradores Prateados), em que todos os jogadores possuem idades entre 65 a 75 anos? E eles são capazes de formar uma equipe bastante competitiva para disputar partidas de Counter Striker.

Por que não estimular eventos divertidos com a participação de idosos? Quando falamos em inclusão e diversidade, estamos falando da pluralidade e representatividade dos diferentes tipos de públicos.

Ninguém quer ser esquecido. Ninguém merece ser negligenciado. Se idosos querem ir a shows de heavy metal, jogar videogame profissionalmente, surfar, ou fazer qualquer outra coisa, por que não?

Não podemos impedir. Devemos incluir. É melhor para todos. É por isso que eu insisto tanto nessa minha luta por projetos de envelhecimento saudável.

Ser careta é não incluir.